BrasilAgro | $AGRO3 | 2FQ26 | 🟨 Resultado geral em linha com o consenso
A BrasilAgro reportou 2FQ26 sem surpresas relevantes, conforme amplamente antecipado pelo mercado. A top line foi inflada por vendas não recorrentes de gado e o lucro se beneficiou de efeito tributário positivo, enquanto o EBITDA ajustado ficou em linha com as estimativas. Operacionalmente, a comercialização de cana-de-açúcar foi fraca — reflexo de menor produtividade na safra 2025/26 já previamente divulgada — e, portanto, não trouxe novidade. O principal ponto construtivo do trimestre foi a evolução dos hedges para a safra 2025/26, aumentando a flexibilidade em um ambiente desafiador para produtores rurais.
A receita consolidada superou a projeção em ~18%, puxada sobretudo por BRL 24mn em vendas de gado (majoritariamente não recorrentes, ligadas à Fazenda Preferência, desinvestida em 2025). Já o EBITDA ajustado somou BRL 7mn, 🟨 em linha com o esperado, dado que as margens modestas do gado limitaram a contribuição à rentabilidade. O lucro líquido veio acima do projetado (🟩 qualitativo), explicado por taxa efetiva positiva e resultado financeiro mais forte.
Por cultura, a cana-de-açúcar apresentou queda de volumes de 52% a/a e compressão de receita de 56% a/a, exatamente conforme projetado, devido à produtividade menor na safra 2025/26 (🟨 sem surpresa). Em soja, a receita ficou em linha com o modelo, em função da sazonalidade mais fraca do período. Milho surpreendeu em volumes, mas o efeito foi majoritariamente compensado por preços, limitando impacto no resultado. No mix produtivo, a companhia revisou a produção de soja para baixo em 3% e milho para cima em 2%, com redução relevante no algodão 2ª safra, alinhada à leitura de margens negativas no algodão.
A posição de hedge foi o principal destaque positivo. A BrasilAgro avançou significativamente nas proteções para 2025/26: soja com volumes hedgeados ~20 p.p. acima do ano anterior, a preços 6% acima do modelo; algodão com 53% da produção hedgeada (+12 p.p. a/a), a preços 3% acima; e hedges de FX em 54–55% para soja e algodão, a níveis 7% e 15% acima das estimativas, respectivamente (🟩 acima do esperado). Esse avanço tende a mitigar riscos de preços e frete em um cenário de BRL apreciado e estoques globais elevados.
O outlook para 2025/26 é melhor em base anual, após um FY25 desafiador por clima adverso e menor área plantada. A companhia indicou ambiente mais equilibrado, com potencial de ganho de produtividade e diluição de custos no 2S26. Na revisão de guidance, produtividade da soja foi ajustada +0,7%, apesar de -2% na área, enquanto algodão foi revisado -22%, com realocação de área para milho 2ª safra, dado o melhor perfil de margens e liquidez.
Leitura final: o trimestre foi 🟨 em linha, sem catalisadores imediatos. A gestão ativa de hedges se destaca como ponto positivo em um ambiente setorial mais fraco, mas o curto prazo segue limitado para geração recorrente de caixa. O sell side mantém visão Neutra/Market Perform para as ações.