$DASA3 BTG CEO Conference
A administração enquadrou os últimos dois anos como um reset estratégico após um ciclo de expansão que aumentou significativamente a intensidade de capital e a alavancagem. Depois de construir uma plataforma de saúde mais diversificada — incluindo hospitais — a mudança na dinâmica de juros e uma disciplina de capital mais rígida levaram a um novo foco no diagnóstico principal. Com a criação da joint venture Rede Américas com a Amil, vendas de ativos e uma estrutura mais enxuta, a companhia entra em 2026 posicionada para crescimento de receita acima do mercado, recuperação de margens via racionalização de SG&A e desalavancagem contínua — sem necessidade de novo capital.
Simplificação organizacional e reset de SG&A: Desde o fim de 2024, a administração tem se concentrado em reduzir custos estruturais. Cargos administrativos foram cortados, camadas de gestão simplificadas e contratos de terceirização revisados. O 3T marcou um reset visível na base de despesas, com espaço adicional para diluição operacional nos próximos dois anos.
Trajetória de receita acima do mercado: A administração espera crescimento de receita acima do mercado em 2026, apoiado por ganhos de produtividade, execução comercial mais forte e mix mais saudável. A estratégia combina expansão no B2C, aceleração no B2B e disciplina de preços.
B2C – produtividade e alavancagem de preços: Relações dedicadas com operadoras, maior volume de pagamentos diretos e eficiência tecnológica (mais exames por máquina e por metro quadrado) sustentam a alavancagem operacional. Serviços domiciliares e marcas premium — especialmente Alta — continuam superando o mercado mais amplo.
Aceleração no B2B: Historicamente subpriorizado, o B2B agora recebe investimentos direcionados em logística e hubs técnicos (NTOs). A administração enfatiza que são iniciativas pontuais, aproveitando capital já instalado em vez de exigir capex incremental relevante. A empresa vê crescimento estruturalmente atrativo em diagnósticos terceirizados, potencialmente acima do mercado geral.
Perfil de margem – SG&A como principal alavanca: A expansão de margem bruta permanece possível, mas cada vez mais dependente de mix, já que o B2B carrega margens brutas estruturalmente menores. A principal oportunidade está na racionalização de SG&A, apoiada por automação, simplificação e diluição de custos fixos, enquanto a administração continua buscando ganhos estruturais de eficiência.
Disciplina de capital de giro e desalavancagem orgânica: A dívida caiu de forma relevante nos últimos 12 meses, impulsionada principalmente por vendas de ativos. A administração espera desalavancagem adicional via ciclos de recebíveis mais curtos, redução de estoques e melhores prazos de pagamento. O ciclo de caixa mais curto do diagnóstico em relação aos hospitais — especialmente após a venda do São Domingos — sustenta melhora adicional.
Trajetória do balanço: A dívida líquida está em ~R$5,5 bilhões, ou ~2,5x EBITDA (pro forma IFRS 16). Embora a administração não tenha uma meta formal de alavancagem, a expectativa é de tendência contínua de queda. A liquidez está bem equacionada para 2026, sem necessidade de injeção de capital.
Normalização de capex: O capex deve aumentar modestamente em 2026, refletindo manutenção, reformas seletivas e expansão limitada (1–2 unidades). A disciplina de investimentos segue guiada por um framework estruturado de priorização.
Postura em M&A – altamente seletiva: A administração analisa amplamente, mas persegue apenas uma pequena fração das oportunidades. Qualquer aquisição exigiria aderência geográfica, mix diversificado de pagadores, qualidade técnica e valuation atrativo. Por ora, a prioridade continua sendo recuperação de margem e desalavancagem.
IA e produtividade: A inteligência artificial está sendo implementada em fluxos administrativos, call centers e análises clínicas. A administração vê a automação como um importante contrapeso às pressões estruturais de custos e uma alavanca tanto para expansão de margens quanto para qualidade de serviço.