A Mantra Chain, blockchain de primeira camada voltada à tokenização de ativos do mundo real, congelou todas as transações e endpoints da rede nesta sexta-feira (21) após identificar um incidente ainda sob investigação. A paralisação afeta depósitos, saques e transferências envolvendo a rede, e a equipe pediu que usuários não façam transações até a divulgação de novas informações.
Segundo comunicado da própria Mantra, a rede foi interrompida como medida de precaução enquanto as equipes de engenharia e segurança investigavam o problema. A página oficial de status informou que a empresa também acionou parceiros externos e notificou exchanges e integrantes do ecossistema para pausarem transações com o token nativo até a resolução do caso.
Mais tarde, a equipe afirmou ter identificado a causa raiz do incidente e contido a ameaça imediata. De acordo com a Mantra, não houve exploração de fundos de usuários. O problema teria ficado isolado ao módulo Cosmos EVM da Mantra Chain e afetado dois endereços de carteira. A retomada da rede poderia ocorrer ainda no mesmo dia, dependendo do sucesso dos testes de correção.
O token da Mantra chegou a cair para sua mínima histórica de US$ 0,004126 logo após a notícia, mas se recuperou. Porém, mesmo assim, a criptomoeda recua cerca de 5% nas últimas 24 horas, cotada atualmente a US$ 0,004762.
O que é a Mantra
A Mantra se apresenta como uma blockchain de primeira camada construída para ativos reais tokenizados, conhecidos pela sigla RWA. Na prática, a proposta é servir como infraestrutura para levar ativos tradicionais, como instrumentos financeiros, recebíveis ou outros ativos privados, para ambientes em blockchain.
O projeto foi lançado originalmente em 2020, com o token OM criado como um ERC-20 na Ethereum. Depois, a Mantra passou por uma transição para se posicionar como uma rede própria de camada 1, com o OM funcionando como moeda nativa para staking, governança, segurança da rede e pagamento de taxas. A documentação do projeto afirma que a Mantra busca se tornar uma espécie de “livro-razão” para ativos do mundo real, combinando infraestrutura permissionless com aplicações permissionadas e compatíveis com requisitos regulatórios.
A rede é baseada no Cosmos SDK e passou a ser compatível com EVM após uma atualização chamada Abunnati, permitindo a criação de contratos inteligentes em Solidity ao lado dos módulos nativos do ecossistema Cosmos. A Mantra também diz oferecer ferramentas para verificação de identidade, tokenização de ativos e governança on-chain.
Esse posicionamento colocou a Mantra dentro de uma das teses mais acompanhadas do mercado cripto nos últimos anos: a tokenização de ativos reais. A ideia é usar blockchain para registrar, negociar ou liquidar ativos tradicionais com mais transparência, automação e alcance global. Mas o episódio desta sexta-feira expõe um risco central para redes desse tipo: quando a infraestrutura de base para, todo o ecossistema construído sobre ela também fica travado.
Projeto tenta se recuperar de colapso histórico
O incidente ocorre em um momento delicado para a Mantra. Em abril de 2025, o token OM sofreu uma queda de aproximadamente 90% em poucas horas, em um dos colapsos mais marcantes daquele ano. À época, o preço despencou de cerca de US$ 5,21 para perto de US$ 0,50 em cerca de 90 minutos.
A equipe da Mantra negou acusações de “rug pull” e atribuiu o movimento a liquidações forçadas e ao pânico de mercado. Em comunicado posterior, o projeto afirmou que não houve venda de tokens pela equipe durante o período de estresse e que a alocação destinada ao time e aos conselheiros permanecia bloqueada.
Mesmo assim, a confiança no projeto foi duramente afetada. Depois do colapso, a empresa passou por reestruturação e demissões. Em junho deste ano, a Inveniam Capital Partners anunciou planos para adquirir a Mantra e entidades afiliadas, em uma operação que buscava combinar a infraestrutura de tokenização da Mantra com a base de dados de mercados privados da Inveniam.
A Inveniam já havia investido US$ 20 milhões na Mantra antes da reestruturação e disse ter conduzido uma diligência de seis meses sobre o ecossistema após a queda de 2025. A empresa afirmou que a aquisição marcaria uma nova etapa para a Mantra dentro de uma tese de infraestrutura para mercados privados tokenizados e dados financeiros preparados para uso com IA.
Por isso, a paralisação da rede chega em um ponto sensível. A Mantra tentava reconstruir sua imagem após a queda do token, reforçar a narrativa de RWA e avançar com a integração à Inveniam. Um novo incidente técnico, mesmo sem perda de fundos, tende a reacender dúvidas sobre a resiliência da infraestrutura e a capacidade do projeto de atrair usuários institucionais.
A avaliação final dependerá da transparência da equipe sobre a causa do problema, do tempo necessário para retomada da rede e da existência ou não de efeitos colaterais para usuários, exchanges e aplicações do ecossistema. Por enquanto, a Mantra afirma que a ameaça imediata foi contida. Para o mercado, porém, o episódio adiciona mais um teste de confiança a um projeto que ainda tenta se recuperar de uma crise anterior.
Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!
O post Projeto cripto Mantra congela rede após incidente e token desaba para mínima histórica apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.