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Solana dispara quase 8% hoje: entenda o que está por trás da alta da SOL

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A Solana (SOL) sobe bem mais que a maior parte do mercado cripto nesta quinta-feira (27), com alta de quase 8%, impulsionada por uma combinação de rali geral dos ativos digitais e uma tese específica para o token: duas propostas de governança que podem reduzir em até US$ 1,5 bilhão as emissões futuras de SOL nos próximos seis anos.

A criptomoeda já vinha de uma semana forte, acompanhando a recuperação do Bitcoin, do Ethereum e de outras altcoins após a melhora do apetite por risco no mercado global. Mas a alta mais intensa da SOL ganhou força com a leitura de que a rede pode se tornar “estruturalmente mais escassa” caso as mudanças em votação avancem.

As propostas em discussão são conhecidas como SIMD-550 e SIMD-553, ou SGP-0002 e SGP-0003 no processo de governança. Em relatório, a 21Shares afirma que, juntas, elas podem reduzir a emissão projetada de SOL em cerca de US$ 1,4 bilhão a US$ 1,5 bilhão em seis anos e, ao mesmo tempo, cortar pela metade o rendimento nominal de staking em aproximadamente dois anos.

Na prática, o mercado está olhando para a parte positiva da mudança: menor emissão futura e maior queima de tokens. Em cripto, propostas que reduzem a pressão de oferta costumam ser interpretadas como favoráveis ao preço, porque diminuem a diluição dos investidores ao longo do tempo.

Hoje, o rendimento de staking da Solana está perto de 5,25%, sustentado principalmente pela inflação do protocolo, estimada em cerca de 3,78%, além de taxas de transação, gorjetas de prioridade e MEV. A SIMD-550 propõe dobrar a taxa anual de desinflação da rede, de -15% para -30%, encurtando o caminho até a inflação terminal de 1,5% de cerca de 2032 para o primeiro semestre de 2029.

Com isso, o rendimento nominal de staking cairia para aproximadamente 4,34% no primeiro ano, 3% no segundo e 2,25% no terceiro. Para quem faz staking, é uma perda direta de receita. Para quem olha o preço do token, porém, a leitura pode ser positiva se a menor emissão fortalecer a relação entre oferta e demanda.

Menos emissão, mais queima e aposta em DeFi

A segunda proposta, SIMD-553, mira outro ponto: a queima de SOL. A ideia é alterar a estrutura de taxas da rede para que parte do custo associado ao uso de unidades computacionais seja queimado. Segundo a 21Shares, no nível atual de atividade, as queimas diárias poderiam sair de cerca de 600 a 800 SOL para algo entre 7.500 e 9.000 SOL por dia.

Mesmo assim, a própria 21Shares ressalta que a mudança, sozinha, ainda não compensaria a inflação atual da rede, estimada em cerca de US$ 4,5 milhões por dia. Ou seja, a Solana não viraria necessariamente deflacionária de imediato. A aposta do mercado é mais estrutural, com a redução da velocidade de criação de novos tokens, aumento da destruição de oferta e melhora da narrativa de longo prazo da SOL.

Outro ponto importante é a possível mudança de comportamento dos investidores. A taxa de staking da Solana é alta em comparação com outras redes, com cerca de 67,9% da oferta em staking, quase o dobro do Ethereum, segundo a 21Shares. Com rendimentos menores, parte desse capital poderia buscar retornos em outros usos dentro da rede, como DeFi, pagamentos, trading e aplicações financeiras on-chain.

Essa é uma das teses mais otimistas para a Solana. Em vez de apenas remunerar investidores por manter SOL travado em staking, a rede tentaria empurrar mais capital para atividade econômica real dentro do ecossistema. Mais uso pode gerar mais taxas, mais MEV e mais demanda por infraestrutura, fortalecendo a tese da blockchain como plataforma financeira.

A 21Shares também aponta que a Solana já tem sinais relevantes de uso. Segundo a gestora, a rede possui participação de liderança em ações tokenizadas e processou mais de 22% das transações com stablecoins em 2026, apesar de concentrar apenas 5% da oferta global de stablecoins. Para a casa, isso indica eficiência e espaço para crescimento.

A leitura do mercado também se apoia em precedentes. A 21Shares cita o EIP-1559 do Ethereum, que introduziu mecanismo de queima em agosto de 2021, e a Proposta 848 da Cosmos, que reduziu a inflação máxima do ATOM em novembro de 2023. Nos dois casos, os tokens subiram no curto prazo após mudanças ligadas à redução de oferta, embora o desempenho também tenha sido influenciado por condições mais amplas do mercado.

Por isso, a alta da Solana não deve ser explicada apenas pela votação. O mercado cripto como um todo vive uma recuperação forte, com Bitcoin perto de US$ 80 mil, ETFs voltando a atrair recursos e investidores retomando apetite por risco. Nesse ambiente, ativos de maior beta, como SOL, costumam subir mais do que o BTC.

Ainda há riscos. A aprovação das propostas não altera automaticamente o protocolo. A votação dá aval político e técnico para seguir com o processo, mas detalhes de implementação e cronograma ainda precisam ser definidos. Além disso, a SIMD-553 ainda tem pontos em aberto sobre custos para validadores, que poderiam subir de forma relevante e pressionar a rentabilidade de parte da rede.

Para o preço da Solana, a questão agora é se a narrativa de menor emissão será suficiente para sustentar a alta depois do rali inicial. No curto prazo, a SOL se beneficia de três fatores ao mesmo tempo: mercado cripto aquecido, rotação para altcoins e expectativa de uma mudança tokenômica favorável. No médio prazo, o teste será mostrar que menos staking passivo pode se transformar em mais atividade, mais taxas e mais demanda real dentro do ecossistema.

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