Uma violação de dados em um dos provedores de envio da Trezor expôs os nomes, números de telefone, endereços de e-mail e endereços residenciais de milhares de clientes do fabricante de carteiras de hardware, conforme a empresa divulgou nesta quinta-feira (13).
A ShipMonk, que armazena e envia os produtos da Trezor, informou à empresa na segunda-feira que uma parte não autorizada havia acessado sistemas que continham dados de clientes.
Cerca de 11.742 clientes tiveram seus dados completos subtraídos e outros 1.947 tiveram nomes, cidades e endereços de e-mail expostos, totalizando 13.689. Os afetados fizeram pedidos entre 10 de maio e 8 de agosto e os tiveram enviados para os Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Colômbia, Brasil, Itália ou Portugal.
A Trezor afirmou que seus próprios sistemas não foram comprometidos e que nenhum dispositivo, chave privada ou backup de carteira foi afetado.
A empresa atribuiu o escopo limitado a uma política que exige que os parceiros excluam ou anonimizem os dados dos pedidos 90 dias após a entrega, o que significava que pedidos mais antigos não eram mais retidos.
Clientes que não receberam um e-mail de notificação não foram afetados, disse a empresa. Em 13 anos, a empresa acrescentou, nunca antes havia ocorrido uma violação que expusesse números de telefone e endereços de envio de clientes.
Phishing e “ataques de chave de fenda”
O aviso da Trezor diz respeito a phishing, e a empresa aconselha os clientes a tratar contatos inesperados com suspeita e nunca inserir um backup de carteira online. O precedente de 2020 com a rival Ledger sugere que o risco vai além de e-mails fraudulentos.
Depois que nomes, endereços e números de telefone de aproximadamente 272.000 clientes da Ledger foram publicados, alguns começaram a receber pedidos de resgate ameaçando violência.
Um deles disse que recebia vários e-mails e mensagens de texto por dia, enquanto outros relataram mais tarde ter recebido chamadas de phishing de pessoas que falavam como se os conhecessem.
Essas ameaças agora têm mais companhia, com a CertiK verificando 52 ataques físicos a detentores de criptoativos em todo o mundo no primeiro semestre de 2026, um aumento em relação aos 39 do ano anterior, e invasões domiciliares superando sequestros como o método mais comum.
A Chainalysis estimou a soma roubada em mais de US$ 30 milhões no mesmo período e disse que o ano estava a caminho de ser o pior já registrado.
Este não é o primeiro incidente desse tipo a atingir a cadeia de fornecedores de carteiras de hardware. A Ledger divulgou uma violação em seu próprio parceiro de e-commerce, Global-e, em janeiro, e empresas de carteiras de hardware alertaram sobre um aumento de phishing este mês, à medida que as perdas do exploit Coldcard se aproximavam de US$ 130 milhões.
A notícia surge no momento em que os usuários de carteiras de hardware foram abalados pelo recente exploit da Coldcard. Parte dos 233.000 Bitcoin que deixaram carteiras de detentores de longo prazo em torno da violação da Coldcard, avaliados em aproximadamente US$ 15 bilhões, veio de proprietários de Ledger e Trezor, e não de clientes Coldcard, que se moveram para configurações de múltiplas assinaturas após acompanhar o desenrolar do exploit, de acordo com a Casa.
A Trezor informou que está implementando uma opção de Entrega Anônima que utiliza retirada em armários, embalagem neutra, detalhes genéricos do remetente e exclusão automática de identificadores de envio, visando a União Europeia até setembro e os Estados Unidos até o final do ano.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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