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Zcash renasce? Entenda o que fez a cripto de privacidade disparar 70% na semana

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O Zcash voltou a disparar e renovou a atenção do mercado para as criptomoedas de privacidade. Nesta segunda-feira (24), o token ZEC negociava em torno de US$ 857, mantendo o forte rali iniciado na semana passada e perto do maior patamar desde 2018, segundo dados da CoinGlass e Loris Tools.

O movimento ocorre após a Grayscale avançar em sua tentativa de transformar o Grayscale Zcash Trust em um ETF à vista nos Estados Unidos. Na sexta-feira (21), a gestora apresentou uma nova versão do pedido à SEC, com previsão de renomear o produto para The Zcash ETF e taxa anual de administração de 2,5%. Se aprovado, o fundo seria o primeiro ETF americano a acompanhar diretamente o preço da ZEC.

A alta ganhou força no fim de semana. No sábado, a ZEC chegou a tocar US$ 855, maior nível em oito anos, após subir mais de 22% em 24 horas. Com essa alta, nesta segunda o Zcash acumula ganhos de mais de 67% em apenas sete dias.

O rali já vinha em andamento antes do novo documento da Grayscale, mas a atualização do pedido adicionou combustível à tese de que o Zcash pode entrar na próxima leva de criptoativos com produto regulado em bolsa nos EUA.

Derivativos puxam volume, mas histórico recente ainda pesa

A força do movimento aparece principalmente no mercado de derivativos. No sábado, o volume de futuros de ZEC passou de US$ 9,5 bilhões em 24 horas, contra cerca de US$ 1,06 bilhão no mercado spot, segundo dados da CoinGlass. Nesta segunda, a atividade seguia elevada: a CoinGlass apontava US$ 5,87 bilhões em volume de futuros em 24 horas e US$ 500,8 milhões em volume spot, enquanto a Loris Tools indicava cerca de US$ 1,8 bilhão em contratos em aberto.

Esse desequilíbrio sugere que boa parte da alta recente foi alimentada por apostas alavancadas, e não apenas por compra direta do token no mercado à vista. Isso não invalida o rali, mas aumenta o risco de volatilidade caso traders realizem lucro ou posições compradas sejam liquidadas em uma correção mais brusca.

O Zcash é uma das criptomoedas de privacidade mais antigas do mercado. O projeto usa provas de conhecimento zero, conhecidas como zk-SNARKs, para permitir transações protegidas, nas quais dados como endereço, valor e memo podem permanecer criptografados na blockchain, mas ainda verificáveis pelas regras da rede.

Essa proposta voltou a ganhar apelo em um momento em que privacidade on-chain se tornou tema mais discutido, principalmente com o avanço de ferramentas de rastreamento, regras de compliance e monitoramento de transações. Ao mesmo tempo, esse tipo de ativo também costuma enfrentar mais pressão regulatória, justamente por permitir maior privacidade nas movimentações.

O rali atual marca uma recuperação importante para a ZEC depois de uma forte crise em junho. Na época, o token caiu de cerca de US$ 630 para US$ 250 após desenvolvedores revelarem uma vulnerabilidade crítica de falsificação que afetava a pool protegida Orchard, uma parte central da arquitetura de privacidade da rede. O problema foi corrigido com uma atualização emergencial, e a NU6.2 reativou a Orchard com circuito corrigido em 3 de junho.

Depois disso, a rede passou por nova atualização. Em julho, o Zcash ativou a Ironwood, uma nova pool protegida lançada após o episódio da Orchard. A Orchard havia concentrado quase 88% da oferta protegida da rede em seu auge, o que ajuda a dimensionar a importância técnica do problema corrigido.

A recuperação da ZEC também acompanha uma semana mais favorável ao mercado cripto. O Bitcoin voltou a negociar perto de US$ 79 mil nesta segunda-feira, após um rali impulsionado por entradas em ETFs, queda do dólar e expectativa de mais suporte de liquidez no mercado de títulos dos EUA.

Ainda assim, o caso do Zcash tem fatores próprios. A possibilidade de um ETF à vista reacendeu o interesse em um ativo que ficou anos fora do centro das grandes narrativas do mercado. A dúvida agora é se a alta será sustentada por demanda real e avanço regulatório ou se parte do movimento será devolvida após a explosão nos derivativos.

Mesmo perto da máxima em oito anos, a ZEC ainda está bem abaixo de seu recorde histórico de aproximadamente US$ 3.191, registrado em ciclos anteriores. Isso reforça o contraste entre a força do rali recente e o tamanho da recuperação que ainda seria necessária para o token voltar ao pico histórico.

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