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Rodrigo de Assis Dutra Costa

@rodrigoadcosta · 05 de março de 2026 às 09:53

📈 ABERTURA DE MERCADO 🌱 A soja não conseguiu sustentar o mesmo ímpeto comprador observado no início da escalada do conflito com o Irã. O risco direto ao setor agrícola foi reduzido ao longo dos últimos dias, e o mercado passou a trabalhar menos com prêmio geopolítico e mais com fundamentos específicos do complexo. O foco imediato recai sobre a formalização das RVOs, esperada em cerca de dez dias. Em dois dos três cenários considerados pelo mercado, o desfecho tende a ser altista por conta dos mandatos de combustíveis, o que mantém o óleo de soja como principal vetor de sustentação. As margens de esmagamento seguem elevadas, com ganhos semanais entre 8 e 10 cents por libra. O óleo já responde por 52% do valor gerado no esmagamento, embora represente apenas cerca de 20% do volume físico produzido. Os retornos da indústria estão praticamente no dobro dos níveis observados há um ano, e o oil share se aproxima do maior patamar dos últimos anos. A discussão passa a ser o tamanho do prêmio de risco que o mercado está disposto a carregar no óleo antes da definição oficial das RVOs. Sem confirmação concreta, parte do suporte pode ser ajustada. 🌽 O milho voltou a ceder à medida que o risco de guerra foi retirado das commodities. A diminuição das tensões no Estreito de Ormuz e a sinalização de proteção ao tráfego marítimo no Golfo Pérsico reduziram o componente especulativo que havia sustentado parte das altas recentes. O próprio petróleo operou em baixa, enfraquecendo o suporte indireto ao grão. Nos fundamentos, os dados semanais da EIA indicaram produção de etanol em 1.095 mil barris por dia, recuo de 18 mil barris frente à semana anterior. No acumulado do ano, a produção está 1,3% acima do mesmo período do ano passado. Os estoques subiram 691 mil barris, para 26,337 milhões, mas ainda permanecem 3,5% abaixo do nível registrado na mesma semana de 2024. Com o prêmio geopolítico diminuindo e o petróleo perdendo tração, o milho volta a ser precificado predominantemente pelos seus próprios fundamentos de oferta e demanda. 🍒 O mercado físico brasileiro trabalhou com liquidez moderada. Houve negócios na abertura, mas o ritmo perdeu intensidade ao longo da sessão. O câmbio sustentou os preços internos, enquanto as bolsas internacionais recuaram. No Sul de Minas, o café natural duro 15% catação operou entre R$ 1.880 e R$ 1.890 por saca. No Cerrado, cafés finos giraram entre R$ 1.960 e R$ 1.970, com extrafinos próximos de R$ 2.000. Nas Matas, cafés Rio trabalharam entre R$ 1.360 e R$ 1.420. No Espírito Santo, o conilon tipo 6 peneira 13 acima foi indicado a R$ 1.080, enquanto os tipos 7/8 ficaram ao redor de R$ 1.050. No FOB Brasil, a volatilidade em NY reduziu o volume de negócios. Diferenciais permaneceram majoritariamente estáveis, com negociações pontuais em Rio Minas 17/18 ao redor de US$ 285. 💵 DÓLAR: No quinto dia de conflito no Oriente Médio, o mercado de câmbio operou com redução parcial do prêmio de risco. A estabilização do petróleo e a melhora do apetite por ativos de risco no exterior contribuíram para um ambiente menos defensivo do que nas sessões anteriores. Declarações indicando possível negociação por parte do Irã e o anúncio de que os Estados Unidos consideram utilizar a Marinha como escolta para navios no Estreito de Hormuz aliviaram parte da pressão sobre a energia. Mesmo com a navegação ainda limitada, o Brent perdeu fôlego após os picos recentes, o que diminuiu a busca imediata por proteção em dólar. O foco voltou-se para o impacto inflacionário potencial do conflito. A preocupação é que choques em petróleo, fertilizantes e fretes possam reverter o processo de desinflação nas principais economias. Nos Estados Unidos, o PMI de serviços do ISM subiu para 56,1 em fevereiro, maior nível desde julho de 2022, reforçando a leitura de atividade resiliente. O indicador também apontou moderação de preços no setor, o que reduz pressão imediata sobre o Federal Reserve. No campo político, a formalização da indicação de Kevin Warsh para o Fed e a sinalização de tarifas globais de importação de 15% adicionam componente de incerteza à política econômica.