Lucas Uhlig
@lucasuhlig · 12 de março de 2026 às 13:14
$BHIA3 Mais um resultado com melhora sequencial O Grupo Casas Bahia apresentou no 4T25 um conjunto de resultados que reforça a evolução operacional do plano de transformação, com crescimento de receita, forte expansão de EBITDA e melhora relevante na estrutura de capital, ainda que o lucro líquido continue pressionado por juros elevados e itens não recorrentes. A receita líquida atingiu R$ 8,5 bilhões no 4T25, alta de 6,1% a/a, enquanto no acumulado de 2025 somou R$ 29,2 bilhões, crescimento de 7,3%. O avanço foi impulsionado principalmente pelo canal online, que cresceu 24,3% no trimestre, com destaque para o 1P (+25%) e para o marketplace (+16,2%). Já o canal físico registrou leve retração de 1,2%, refletindo o fechamento líquido de lojas, embora o SSS tenha crescido 2,6%, indicando ganho de produtividade das unidades remanescentes. A participação do e-commerce atingiu 41,6% do GMV, reforçando a mudança estrutural no mix de vendas. O lucro bruto foi de R$ 2,7 bilhões no trimestre, alta de 8,6%, com margem de 31,5%, beneficiada por um efeito não recorrente de R$ 176 milhões relacionado ao estorno de DIFAL. Excluindo esse impacto, a margem seria de 29,5%, indicando pressão decorrente do maior peso do canal digital, que possui margens estruturalmente menores. No acumulado de 2025, o lucro bruto atingiu R$ 8,9 bilhões, com margem de 30,5%, leve queda de 0,3 p.p. frente a 2024. O EBITDA ajustado foi um dos principais destaques, totalizando R$ 826 milhões no 4T25, crescimento de 29,1%, com margem de 9,8%, o maior nível em quase três anos. Desconsiderando o efeito DIFAL, a margem seria 7,7%, praticamente estável na comparação anual. No acumulado de 2025, o EBITDA ajustado atingiu R$ 2,6 bilhões, avanço de 29,7%, com expansão de 1,6 p.p. na margem, evidenciando forte alavancagem operacional, já que a receita cresceu apenas 7,3% no período. A disciplina de custos segue sendo um vetor importante dessa melhora. As despesas SG&A ficaram praticamente estáveis no trimestre em R$ 1,9 bilhão, mas caíram como proporção da receita para 22,5%, uma redução de 1,3 p.p. No ano, as despesas recuaram 0,7% em termos absolutos, enquanto a receita cresceu, resultando em diluição de 1,9 p.p. no indicador SG&A/receita. A companhia também registrou forte queda nas demandas trabalhistas, que recuaram 64% no trimestre, evidenciando avanço na resolução de passivos históricos. No lucro líquido, entretanto, o resultado segue negativo. O prejuízo ajustado foi de R$ 79 milhões no 4T25, melhora relevante frente ao prejuízo de R$ 452 milhões no 4T24. Já o resultado reportado mostrou prejuízo de R$ 1,5 bilhão, impactado por um ajuste contábil de R$ 1,45 bilhão relacionado à reavaliação de ativos fiscais diferidos, sem efeito caixa. No acumulado de 2025, o prejuízo ajustado foi de R$ 1,5 bilhão, piora frente a R$ 1,0 bilhão em 2024, refletindo principalmente o aumento do custo financeiro, em um ambiente de CDI médio de 14,3%. Em contrapartida, a geração de caixa operacional apresentou melhora expressiva, atingindo R$ 2,1 bilhões no 4T25 e R$ 3,4 bilhões em 2025, crescimento de 52% a/a, impulsionada por melhora operacional, liberação de capital de giro e redução de pagamentos trabalhistas. A geração de caixa livre da firma (FCFF) alcançou R$ 1,8 bilhão no trimestre e R$ 2,15 bilhões no ano, mais que o dobro de 2024, consolidando a reversão observada desde 2022. O destaque estrutural do trimestre foi a forte desalavancagem. A dívida líquida ajustada caiu para R$ 1,1 bilhão, reduzindo a alavancagem para apenas 0,4x EBITDA, contra 1,9x no trimestre anterior, após a conversão de R$ 2 bilhões de dívida em ações e renegociações com desconto. O endividamento bruto recuou para cerca de R$ 1,0 bilhão, fortalecendo significativamente o balanço. Em síntese, o trimestre confirma a melhora operacional consistente da Casas Bahia, com expansão de margens, forte geração de caixa e balanço substancialmente mais saudável. O principal fator que ainda impede o retorno ao lucro é o elevado custo financeiro, ligado ao nível de juros no Brasil. Com a desalavancagem já avançada e eventual queda da taxa básica, a companhia passa a ter condições mais claras de atingir breakeven de lucro líquido nos próximos 12 a 24 meses, mantendo o e-commerce e a eficiência operacional como principais motores de crescimento.
👊 6
1 comentário
Guilherme Kamei de C…
@gui-kamei
12 de mar. de 2026
17:47
taxa