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Rodrigo de Assis Dutra Costa

@rodrigoadcosta · 11 de março de 2026 às 13:16

🌍 Guerra no Oriente Médio e Fertilizantes: o que o Agro Precisa Monitorar A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global de fertilizantes — e os impactos já começam a aparecer nos portos brasileiros. Em apenas uma semana: 📈 Ureia subiu mais de 15% 📈 Nitrato de amônio avançou cerca de 28% 📈 fornecedores internacionais retiraram ofertas do mercado diante da incerteza O motivo vai além do conflito em si. O Oriente Médio é um dos principais polos globais de produção de fertilizantes nitrogenados e responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. Qualquer interrupção logística ou produtiva na região tem potencial de gerar efeitos imediatos no mercado internacional. Mas o ponto mais crítico é outro. ⚠️ O conflito atinge uma região central da cadeia global de fertilizantes, criando um risco estrutural de oferta: • 44% das exportações globais de ureia • 27% da amônia • 47% do enxofre • 25% dos fertilizantes fosfatados • 36% da rocha fosfática Ou seja, estamos falando de uma parcela relevante dos insumos que sustentam a produtividade agrícola mundial. Alguns sinais de alerta já apareceram: ⚠️ redução da produção de nitrogenados no Catar ⚠️ restrições na navegação no Estreito de Ormuz ⚠️ aumento da volatilidade nos mercados de energia e fertilizantes Para o Brasil, o risco é ainda maior. O país importa cerca de 88% dos fertilizantes que consome, o que torna a agricultura nacional altamente sensível a choques geopolíticos, logísticos e cambiais. 📊 Em 2025, o consumo brasileiro atingiu 49 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo mais de 43 milhões de toneladas importadas. Ou seja: qualquer ruptura na oferta global rapidamente se traduz em pressão sobre os custos de produção agrícola. 🔎 O que o produtor precisa monitorar agora? • evolução do conflito no Oriente Médio • preço internacional do gás natural (base da produção de nitrogenados) • logística no Estreito de Ormuz • comportamento do câmbio no Brasil A experiência recente da guerra entre Rússia e Ucrânia mostrou como choques geopolíticos podem multiplicar os preços dos fertilizantes em poucos meses. Naquele episódio, produtos que custavam US$ 500–600 por tonelada chegaram a superar US$ 1.200/t. 📉 Quando fertilizantes sobem e commodities não acompanham na mesma intensidade, o resultado é direto: compressão das margens do produtor. 🌱 Mais do que nunca, gestão de risco e planejamento de compras se tornam fatores estratégicos no agronegócio. Porque no agro, muitas vezes o risco não está na lavoura — está na geopolítica.