Rodrigo Costa
@rodrigoadcosta · 17 de março de 2026 às 10:35
$SELIC 📊 SANTANDER REDUZ DE 0,50 PP PARA 0,25 PP PREVISÃO DE CORTE DA SELIC EM MARÇO O Santander reduziu a projeção para o corte da taxa Selic na reunião do Copom de amanhã, de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto, levando o juro básico a 14,75% ao ano. Para o banco, o call implica em um início calibrado, e não como a abertura de um ciclo agressivo, dadas as condições do cenário econômico. "A sinalização de janeiro e discursos públicos recentes tornaram a inação custosa em termos de credibilidade; o choque do petróleo, combinado com o conservadorismo natural do início de um ciclo, torna um corte de 0,50 ponto porcentual igualmente pouco atraente", avalia o head de política monetária do Santander Brasil, Marco Caruso, em relatório. Ainda de acordo com Caruso, a 'arte' está em quão pouco o BC dirá sobre os próximos passos na comunicação. Agora, com o choque de oferta no petróleo, a avaliação é de que o BC pode reconhecer o choque, observar seu caráter transitório na ausência de efeitos de segunda ordem e ainda assim cortar juros. "Nesse sentido, o choque de oferta quase liberta a comunicação: fornece ao BC uma justificativa clara e aceita pelo mercado para entregar um corte de 0,25 ponto, sem parecer que está abandonando seu próprio arcabouço", diz. Caruso observa uma deterioração contida dos modelos. Por meio das premissas atuais para o preço do petróleo e a trajetória recente do real, a projeção do Santander para a inflação no terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, agora está perto de 3,6%, ante estimativa anterior de alta de 3,2%. "A deterioração é real, mas concentrada exclusivamente no componente de energia. O BC apresentará um número cheio mais alto no cenário de referência, enquanto os preços livres permanecem próximos da meta", considera. O economista aponta que o BC deve querer sinalizar controle sobre o ritmo, e não entusiasmo. "Cortes inaugurais em ciclos cautelosos historicamente vêm acompanhados de linguagem enfatizando gradualismo, 'parcimônia' junto com 'cautela', referência explícita às defasagens da política monetária e forte dependência dos dados." Na comunicação, Caruso avalia que o enquadramento central deve mudar de "significativamente contracionista por um período prolongado" para "apropriadamente restritiva", com um processo gradual de flexibilização em curso. O trecho de forward guidance deve ser enxuto, sem sinalização explícita para abril e sem compromisso com o ritmo, segundo o economista.