Rodrigo Costa
@rodrigoadcosta · 17 de março de 2026 às 10:36
📊 XP - MANUTENÇÃO DA SELIC EM 15% EM MARÇO E CORTE APENAS EM ABRIL Na avaliação da corretora, que antes projetava um corte de 0,50 ponto porcentual no juro básico, o cenário econômico desde a última reunião, de janeiro, não se desenhou conforme esperado pelo Banco Central e por isso a Selic não poderá ser reduzida. Em relatório, a XP chama a atenção para resiliência demonstrada pela atividade econômica doméstica nos últimos meses, a surpresa altista com o IPCA de fevereiro e, principalmente, a escalada no preço internacional do barril de petróleo, que deve fazer com que as projeções de inflação do próprio BC se elevem, na comparação com os números de janeiro. “Acreditamos que o Copom manterá a taxa Selic em 15% nesta semana. Nossa projeção anterior indicava um corte de 0,50 pp. O Comitê poderia optar por uma redução de menor magnitude (0,25 pp). Contudo, em nossa avaliação, dado o nível elevado da taxa Selic, esse pequeno ajuste faria pouca diferença para a economia e poderia transmitir um sinal menos claro aos mercados. Acreditamos que, se o Copom não estiver confiante para cortar a taxa de juros em 0,50 pp, é melhor deixá-la inalterada e fazê-lo com mais embasamento em abril”, descreveram os economistas da XP. Com isso, o Copom não cumpriria com a mensagem emitida em janeiro, que antecipou que passaria a haver reduções na Selic a partir de março. Para a XP, porém, isso não afetar a credibilidade da autoridade monetária. “Há mudanças e incertezas suficientes no cenário para justificar uma abordagem mais cautelosa de ‘esperar para ver”, argumentam. No cenário-base da corretora agora, portanto, haverá quatro reduções da Selic em 0,50 ponto porcentual a partir de abril, com o juro básico encerrando 2026 em 13%. “Em termos reais, isso colocaria a taxa de política monetária em torno de 9% - ainda bastante acima do que consideramos como nível neutro -, refletindo as incertezas globais e os desafios fiscais antecipados para o próximo mandato presidencial”, salientam. Dada a crescente tensão geopolítica, porém, a XP não descarta um cenário em que o corte na Selic em abril seja de 0,25 ponto, ou mesmo seja postergado novamente. “O balanço de riscos para a inflação torna-se mais incerto no segundo semestre do ano. Além do petróleo, fatores climáticos e cíclicos que impulsionaram a oferta de alimentos dificilmente se repetirão, enquanto a taxa de câmbio tende a enfrentar pressão durante o período eleitoral. Além disso, a economia parece estar respondendo rapidamente às medidas de estímulo. Nesse ambiente, vemos riscos altistas para a nossa projeção de taxa Selic a 13% no final de 2026”, concluem.